O clima muda. Nossa responsabilidade não

O clima muda. Nossa responsabilidade não

Comunicação ACII
18 de agosto de 2026
11:03

A iminência de mais um fenômeno climático com efeitos extremos reforça uma lição: prevenir continua sendo nossa principal ferramenta de defesa

As previsões de que o fenômeno climático El Niño poderá se manifestar este ano com intensidade elevada, talvez uma das maiores dos últimos anos, acendem um alerta para governos, empresas e sociedade. Embora não seja possível controlar o clima, é possível reduzir seus impactos. E essa diferença pode representar a preservação de vidas, florestas, biodiversidade e patrimônio.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera os padrões de chuva e temperatura em diversas partes do planeta. No Brasil, seus efeitos variam entre as regiões: enquanto o Sul tende a registrar chuvas mais intensas e maior risco de enchentes, o Norte e partes do Nordeste podem enfrentar estiagens prolongadas. O fenômeno também pode contribuir para temperaturas mais elevadas e, nas áreas mais secas, para condições favoráveis à ocorrência e à propagação de incêndios florestais.

A história mostra que esse risco não é hipotético. Nos últimos 60 anos, houve cinco eventos de El Niño classificados como muito fortes, todos com impactos observados no Brasil e no mundo. O episódio de 1997/1998, um dos mais intensos do século XX, provocou secas severas em diversas regiões brasileiras. Em 2015/2016, outro evento de grande intensidade esteve associado a temperaturas recordes e déficit de chuvas. Já em 2023/2024, a combinação de calor extremo e estiagens prolongadas favoreceu incêndios de grandes proporções em diferentes biomas do país.

No inverno brasileiro, o cenário já favorece a propagação do fogo. A redução das chuvas, a baixa umidade do ar, a vegetação seca e os ventos criam condições favoráveis para que qualquer foco se transforme rapidamente em um grande incêndio. Quando um El Niño intenso potencializa esse quadro, o desafio se torna ainda maior.

É importante, porém, desfazer um equívoco recorrente: o El Niño não provoca incêndios. O fenômeno cria condições para que o fogo se espalhe com mais facilidade, mas a ignição, na imensa maioria dos casos no Brasil, continua sendo provocada pela ação humana, seja por queimadas, negligência ou práticas inadequadas.

É justamente por isso que a prevenção faz toda a diferença. Empresas de base florestal vêm ampliando investimentos em monitoramento, tecnologia, brigadas especializadas e ações de educação ambiental. Na Suzano, por exemplo, essas iniciativas se somam ao programa Guardiões da Floresta, que incentiva a participação da população na prevenção e no combate aos incêndios.

Qualquer pessoa pode acionar o programa gratuitamente, pelo telefone e WhatsApp 0800 203 0000, para reportar focos de incêndio ou indícios de fogo em áreas da empresa ou em seu entorno. O programa também desenvolve ações educativas em escolas e comunidades para conscientizar sobre práticas que ajudam a evitar incêndios, como evitar queimadas para limpezas de terreno, não queimar lixo e nem descartar bitucas de cigarro
em áreas de vegetação.

Os fenômenos climáticos continuarão desafiando nossa capacidade de adaptação. O que determinará a dimensão de seus impactos será, cada vez mais, nossa capacidade de antecipação. Em tempos de mudanças climáticas, prevenir deixou de ser apenas uma boa prática. Tornou-se a estratégia mais inteligente, eficiente e menos custosa para proteger pessoas, florestas, a biodiversidade e o futuro.

Ítalo Cegatta

Autor:  Ítalo Cegatta – Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Suzano.

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