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Confederação negocia acordo com emergentes sexta-feira, 01 de julho de 2011 às 00:00

Confederação negocia acordo com emergentes

A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) está negociando um acordo com entidades correlatas na Rússia, China e África do Sul para aumentar a participação das micro e pequenas empresas no comércio entre os quatro países. O projeto começou a ser discutido durante o 7º Congresso Mundial das Câmaras de Comércio, realizado em junho no México, e a intenção é colocá-lo em operação no primeiro semestre de 2012.

 Segundo o presidente da CACB, José Paulo Dornelles Cairoli, as entidades vão utilizar suas estruturas para ampliar a "rede de contatos" das empresas nesses países e trocar experiências para melhorar a capacitação dos empreendedores locais. Por enquanto a negociação envolve a Câmara de Comércio e Indústria de Durban (África do Sul), a Câmara de Comércio Internacional da China e a Câmara de Indústria e Comércio da Federação Russa, mas o plano é incluir também a Índia. "Queremos ampliar o volume de negócios nos setores comercial, industrial e de serviços", diz Cairoli. A ideia é que a coordenação do projeto seja rotativa, trocando de mãos a cada dois anos entre as entidades envolvidas, que voltarão a discutir o assunto em agosto, num evento que faz parte da comemoração dos 200 anos da Associação Comercial da Bahia, em Salvador.

 Para o diretor financeiro do CACB, George Pinheiro, os brasileiros têm "muito a aprender" sobre comércio internacional com os chineses, russos, indianos e sul-africanos. "Eles são muito dinâmicos nessa área", comentou. Conforme a entidade, as micro e pequenas empresas participam com menos de 2% das exportações do Brasil e uma maior inserção no comércio internacional pode melhorar indicadores do segmento, como o que revela que 30% dos empreendimentos no país fecham as portas antes de completar cinco anos.

 Com 2,3 mil associações comerciais e industriais filiadas, a CACB também vê a parceria internacional como forma de ganhar peso político interno. Neste caso, o plano é acumular conhecimento para participar mais ativamente do debate sobre questões como burocracia, tributação e acesso ao crédito pelos micro e pequenos negócios, que faturam até R$ 2,4 milhões por ano e representam 83% das 2 milhões de empresas representadas pelas associações ligadas à confederação. Já a colaboração brasileira para os parceiros internacionais, segundo a CACB, pode incluir os avanços alcançados localmente em tecnologia de gestão, capacitação e articulação institucional, mediação e arbitragem, além de certificação digital.

 De acordo com o gestor Carlos Rezende, a confederação desenvolve quatro programas específicos nessas áreas. Um deles, o "Empreender", já atendeu 60 mil empresas, que recebem consultoria das associações comerciais para desenvolver soluções comuns em assuntos que incluem desde campanhas de marketing até compras conjuntas de insumos e matérias-primas. Neste momento 20 mil empresas participam do programa. "Temos núcleos de pequenos supermercados, farmácias, lojas de materiais de construções e oficinas mecânicas", explica Rezende. Outro projeto é o "Capacitar", focado no treinamento e na profissionalização das associações filiadas à confederação para prestar melhores serviços às empresas associadas.


O "Capacitar" já beneficiou 24 entidades de oito Estados da região Nordeste e assim como o "Empreender" teve a metodologia "exportada" para vários países, entre eles Moçambique, Colômbia, Chile, África do Sul Vietnã, Timor Leste e Paquistão. Segundo Rezende, a CACB pode transferir ainda aos parceiros a experiência acumulada com a venda, em parceria com a Certisign, de 120 mil certificados digitais pelas associações comerciais nos últimos 18 meses. O sistema reduz a burocracia e facilita o relacionamento entre as empresas e o governo, diz o gestor.

 A confederação também é a coordenadora da Câmara Brasileira de Mediação e Arbitragem Empresarial (Cbmae), criada no ano 2000, que vem ganhando espaço nos últimos três anos na solução extrajudicial de controvérsias comerciais. Conforme o coordenador nacional da câmara, Valério Souza de Figueiredo, o sistema já conta com 50 unidades implantadas em associações comerciais de praticamente todos os Estados e a meta é dobrar este número nos próximos 24 meses.

 Fonte: CACB / Valor Econômico

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